domingo, maio 18, 2008

Mulheres de Chico.


Nem todos nascem Chico... nem todos decifram mulheres... nem compõem com tanta beleza e sutileza, como o Chico Buarque. Mas ao menos podemos nos deleitar com suas mulheres. As existentes em suas músicas, as suas belas ex-esposas, e agora em uma nova categoria que descobri: as que cantam Chico... AS MULHERES DE CHICO. Um bloco carnavalesco com aproximadamente vinte beldades de idades e belezas distintas, mas inquestionávelmente talentosas.
São ritmadas, sorridentes e lindas, do cavaquinho ao repique, o nível é alto, tanto visual quanto sonoro.
Sem qualquer tipo de comercial, apenas presenciei uma apresentação e me apaixonei de uma só vez por mais ou menos vinte mulheres.
Espero que possam presenciar essas meninas cantando Chico Buarque e concordem comigo.
Salve Chico e Salvem suas mulheres... principalmente as Mulheres de Chico.

O retorno



Então... Entre mortos e feridos, todos sobreviveram... E eu estou entre eles, e já que estou vivo porque não continuar? Pretendo agora dar um "gás" nessa brincadeira de escrever no blog... espero que pelo menos alguém leia e além de ler que opinem.
Mas pra provar que o blog não só fala de assuntos sérios e complexos, como nos dois primeiros post, vamos colocar uma leveza no próximo post, e nada melhor que falemos delas... as MULHERES.



segunda-feira, outubro 08, 2007

Dia de festa


A segunda-feira na cidade maravilhosa, começou de forma vergonhosa... Desculpe a rima, mas nessa manhã fui acompanhar a desocupação pacífica de um grupo de Sem-tetos que ocupavam desde o dia primeiro de Outubro, o prédio na Rua Senador Dantas, 45 no Centro do Rio, onde funcionava o Cine Vitória, abandonado a mais de dez anos.
Um prédio que teria sido da Beneficência Portuguesa, que por atrasar por muito tempo seus impostos, foi perdido para a prefeitura, e que a mesma alega ter leiloado, mas sem nenhuma publicação no diário oficial, não pode comprovar a informação.
Um fato curioso me aconteceu, enquanto observava a movimentação dos policiais militares, dos guardas municipais e das famílias, que desocupavam o prédio de forma pacificamente humilhante.
Uma senhora nos seus 60 anos portando um óculos GG, se aproximou, e me perguntou:
- O que esta acontecendo aí meu filho? É invasão é?
- Depois de alguns minutos encarando a senhora eu disse: - Não minha senhora, não é invasão não.
- Não convencida continuou - Então é o que?
- Ocupação - disse eu já com cara de não muitos amigos.
Na língua dos sem-tetos, dia de festa é o dia de ocupação, mas nesse caso a festa não acabou bem para os convidados.
Um grupo formado, por mais ou menos 150 pessoas, na sua maioria por mulheres e crianças que bravamente tentavam sair do prédio organizadamente, com o olhar no horizonte, mesmo que algumas ainda deixavam escapar alguma lágrima solitária, na garganta grito de reinvidicação forte e incessante.
Aos que chamam os sem-tetos de vagabundos, baderneiros, de marginais e pessoas de fácil manipulação, deveriam ter a dignidade de ir visitar uma ocupação, conhecer a individualidade das histórias de vidas até chegar ao movimento, e conhecer a esperança desse gente que acreditar consegiur a dignidade através da luta e do trabalho.
Cento e cinquenta famílias hoje voltam a dormir na rua no Rio de Janeiro, cento e cinquenta invisíveis voltam a decorar a noite carioca, tanto cobiçada por gringos e turistas atrás de nossa cidade receptiva e que não dorme.
Mas nossos anfitriões estão dormindo na rua.
Reforma urbana urgente.
Gostaria de ouvir respostas que me inquietassem o coração:
A cidade é pra quem?
Essa luta dos sem-tetos, é minha também?
Vou deixar um pensamento de Bertold Brecht para reflexào

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego

Também não me importei
Agora estão me levando

Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Bertold Brecht


domingo, setembro 16, 2007

Esperemos?





Hoje muito mais devoto de Martin Luther King que Malcom X, apesar de jamais esquecer e deixar de concordar, com todo pensamento e ações de uns dos maiores mártires negro mundial,que ao lado de outros "santos" como: Mandela, Zumbi, João Cândido e outros, contribuíram muito para reflexão racial no mundo. Mas pensar que essas mortes (excluindo Mandela ainda vivo), não ao menos constrange, pessoas com ações racista e com posições contrárias a politicas públicas de inclusão do negro dentro de um sistema digno de educação, me deixa muito consternado.Mesmo com essa devoção em uma ideologia menos “violenta”, não consigo ainda amenizar minha porção revoltada em relação a não inclusão, do negro ou afro descendente ou preto ou pardo ou o que você quiser chamar, dentro de uma sociedade igualitária.Discursos batidos, que afirmam coisas do tipo: "O preconceito no Brasil é social, e não racial" (mas na hora de discriminar, ninguém tem duvida se é preto ou branco). “O sistema de cotas aumenta ainda mais o preconceito”. Me mostra a dimensão de um problema muito maior que as pessoas conseguem enxergar. É sabido por qualquer um no Brasil, que esteja com suas funções mentais funcionando ao menos parcialmente, que não existe nenhum interesse governamental, em agir em prol dessa questão. Mas se não fosse bastante, o ponto mais preocupante é a opinião da sociedade contra essas políticas de inclusão social. Che Guevara entendeu só depois de morto, que não se faz revolução (ou se estende), sem total adesão dos camponeses. Não precisamos deixar morrer nossos “Ches” que lutam pela inclusão. Podemos ao menos tentar conscientizar em nossa volta as pessoas que ainda insistem em não concordar, e também não fazer nada para que nossa realidade racial no Brasil seja justa. A questão mais fomentada atualmente, assunto esse debatido em quase todas universidades e botequins desse país, é o sistema de cotas universitário. Quando escuto um debate e presto atenção nos argumentos dos “contra-cotas”, me pergunto se não estou um pouco “fundamentalista”, em virtude do tamanho de minha revolta e indignação sobre esse assunto, que me parece tão clara a necessidade da implementação do sistema de cotas nacionalmente.Opiniões contrária ao sistema, estão rodeadas de obviedades sem efeitos e utopias que esquecem da situação atual. Me é óbvio que trata-se de uma lei imediatista, que deveríasse estruturar o ensino de base para que desse condições s todos, tornado assim, a disputa no vestibular mais justa. Mas enquanto isso o pobre e o negro ainda continua excluído? È como tivéssemos uma doença que ainda não se descobriu a cura, e então deixasse de atacá-la até que se descobrisse a cura. Como convencer o negro que não consegue entrar na universidade, sobre essas afirmações acima, e dizer a ele que espere a melhora do ensino de base para que possa entrar na universidade? Mas se isto realmente fosse pensado, se fosse iniciado nesse exato momento uma radicalização no ensino de base, em prol a dar condições para que seja mais justo o vestibular, esses resultados não levariam menos de vinte anos para começar a dar frutos. Mas sabe-se que o processo não é somente moroso, ele ainda nem começou. A falta de vontade de enxergar a lei como ela realmente se configura, atrapalha também a adesão do sistema. De uma olhada no cabeçalho da lei...


PROJETO DE LEI 73/99
Institui Sistema Especial de Reserva
de Vagas para estudantes egressos de
escolas públicas, em especial negros e
indígenas,
nas instituições públicas
federais de educação superior e dá
outras providências.
O CONGRESSO NACIONAL decreta:
...
Como podemos verificar na parte por mim discretamente destacada, o sistema não fala somente para negros, e sim para estudantes de escola pública e indígenas, mas acredito que a grande polêmica é a inclusão da palavra “negro” na lei. Se pensarmos que em torno de 60% da população brasileira são de pardos e negros, e que pardos e negros baseados em estatísticas socio-economicas são praticamente iguais, e que mais de 90% desses 60% de negros e pardos são pobres, me parece redundante falar cotas para pobres (escolas publicas) e negros. Sem falar que o Brasil tem o maior contingente de negros no mundo fora da África. E não devemos esquecer também, da auto-declaração de raça no momento de candidatar-se a uma vaga com sistema de cotas. Por que nimguém fala em discutir cotas no sistema penintenciário no Brasil?