Domingo, Setembro 16, 2007

Esperemos?





Hoje muito mais devoto de Martin Luther King que Malcom X, apesar de jamais esquecer e deixar de concordar, com todo pensamento e ações de uns dos maiores mártires negro mundial,que ao lado de outros "santos" como: Mandela, Zumbi, João Cândido e outros, contribuíram muito para reflexão racial no mundo. Mas pensar que essas mortes (excluindo Mandela ainda vivo), não ao menos constrange, pessoas com ações racista e com posições contrárias a politicas públicas de inclusão do negro dentro de um sistema digno de educação, me deixa muito consternado.Mesmo com essa devoção em uma ideologia menos “violenta”, não consigo ainda amenizar minha porção revoltada em relação a não inclusão, do negro ou afro descendente ou preto ou pardo ou o que você quiser chamar, dentro de uma sociedade igualitária.Discursos batidos, que afirmam coisas do tipo: "O preconceito no Brasil é social, e não racial" (mas na hora de discriminar, ninguém tem duvida se é preto ou branco). “O sistema de cotas aumenta ainda mais o preconceito”. Me mostra a dimensão de um problema muito maior que as pessoas conseguem enxergar. É sabido por qualquer um no Brasil, que esteja com suas funções mentais funcionando ao menos parcialmente, que não existe nenhum interesse governamental, em agir em prol dessa questão. Mas se não fosse bastante, o ponto mais preocupante é a opinião da sociedade contra essas políticas de inclusão social. Che Guevara entendeu só depois de morto, que não se faz revolução (ou se estende), sem total adesão dos camponeses. Não precisamos deixar morrer nossos “Ches” que lutam pela inclusão. Podemos ao menos tentar conscientizar em nossa volta as pessoas que ainda insistem em não concordar, e também não fazer nada para que nossa realidade racial no Brasil seja justa. A questão mais fomentada atualmente, assunto esse debatido em quase todas universidades e botequins desse país, é o sistema de cotas universitário. Quando escuto um debate e presto atenção nos argumentos dos “contra-cotas”, me pergunto se não estou um pouco “fundamentalista”, em virtude do tamanho de minha revolta e indignação sobre esse assunto, que me parece tão clara a necessidade da implementação do sistema de cotas nacionalmente.Opiniões contrária ao sistema, estão rodeadas de obviedades sem efeitos e utopias que esquecem da situação atual. Me é óbvio que trata-se de uma lei imediatista, que deveríasse estruturar o ensino de base para que desse condições s todos, tornado assim, a disputa no vestibular mais justa. Mas enquanto isso o pobre e o negro ainda continua excluído? È como tivéssemos uma doença que ainda não se descobriu a cura, e então deixasse de atacá-la até que se descobrisse a cura. Como convencer o negro que não consegue entrar na universidade, sobre essas afirmações acima, e dizer a ele que espere a melhora do ensino de base para que possa entrar na universidade? Mas se isto realmente fosse pensado, se fosse iniciado nesse exato momento uma radicalização no ensino de base, em prol a dar condições para que seja mais justo o vestibular, esses resultados não levariam menos de vinte anos para começar a dar frutos. Mas sabe-se que o processo não é somente moroso, ele ainda nem começou. A falta de vontade de enxergar a lei como ela realmente se configura, atrapalha também a adesão do sistema. De uma olhada no cabeçalho da lei...


PROJETO DE LEI 73/99
Institui Sistema Especial de Reserva
de Vagas para estudantes egressos de
escolas públicas, em especial negros e
indígenas,
nas instituições públicas
federais de educação superior e dá
outras providências.
O CONGRESSO NACIONAL decreta:
...
Como podemos verificar na parte por mim discretamente destacada, o sistema não fala somente para negros, e sim para estudantes de escola pública e indígenas, mas acredito que a grande polêmica é a inclusão da palavra “negro” na lei. Se pensarmos que em torno de 60% da população brasileira são de pardos e negros, e que pardos e negros baseados em estatísticas socio-economicas são praticamente iguais, e que mais de 90% desses 60% de negros e pardos são pobres, me parece redundante falar cotas para pobres (escolas publicas) e negros. Sem falar que o Brasil tem o maior contingente de negros no mundo fora da África. E não devemos esquecer também, da auto-declaração de raça no momento de candidatar-se a uma vaga com sistema de cotas. Por que nimguém fala em discutir cotas no sistema penintenciário no Brasil?